Sinto como se eu devesse conhecer lugares novos. Muitos lugares novos. Saber de coisas inúteis e singelas. Caminhar na areia e molhar os pés.
Talvez parar um pouco, durante muito tempo, e tentar não pensar em nada. Não pensar demais na vida; não planejar tanto o amanhã. Talvez essa pausa pudesse ser no alto de uma montanha. Ou em frente a uma lareira. Ou em alguma lanchonete com um bom café.
Correr pela neve e ficar com calor poderia ser um jeito de passar o tempo a tarde. Correr até ficar sem fôlego. E não para emagrecer.
Eu queria tirar um dia para observar as pessoas, outro para observar as coisas, outro para me observar. Mesmo que no final eu apenas me contente de que não se pode saber de tudo.
Conhecer línguas novas, culturas novas, novas pessoas e novos beijos. Conhecer, quem sabe, uma nova eu.
Sinto como se eu precisasse sair daqui para, realmente, conhecer ali. Não adianta dizer que desejo sair da rotina, se nada faço para que ela saia de mim.
Não quero abrir mão de tudo, mas talvez eu queira abrir mão de quase tudo.
Muitas coisas já não cabem no meu armário. Mais coisas ainda já não cabem na minha cabeça.
Deve estar na hora de viajar. Viajar e saciar essas vontades, esses desejos.
Viajar dentro de mim.
"Não quero ter a terrível limitação de quem vive apenas do que é passível de fazer sentido. Eu não: quero uma verdade inventada." Clarice Lispector
domingo, 21 de agosto de 2011
sexta-feira, 12 de agosto de 2011
Um texto imprevisivel
Ela escreve crônicas e poesias. Ele é fissurado por futebol. Ela dançou ballet até os 15 anos. Ele repetiu o colégio na mesma época. Ela odeia novelas e ama seriados. Ele não fala inglês e assiste a todos os jornais na tv. Ela lê livros em inglês. Ele não liga muito para roupas. Ele ama strogonof. Ela não sabe cozinhar. Ela tem um carro importado. Ele não sabe dirigir. Ele não lê livros, ou textos, ou revistas. Ela queria saber tocar violão. Ele tem um corpo perfeito. Ela tem os olhos perfeitos e expressivos. Ele não consegue acordar muito tarde. Ela nunca acorda cedo. Ela está sempre atrasada. Ele também. Ela é mimada. Ele gosta de mostrar o que sente, e não de dizer. Ela bebe vodka. Ele, cerveja. Ele fica sexy com o uniforme do campeonato de futebol. Ela, com os óculos de grau. Ela ama a praia, mas prefere a lua ao sol. Ele está sempre bronzeado. Ela está sempre sonhando. Ele é mais novo. Ela é mais velha. Ele diz que ela parece uma mulher adulta falando, mas algumas vezes age estupidamente, como uma menina. Ela, então, diz: dani-se!
Ele e ela nunca dariam certo mesmo.
Ele e ela nunca dariam certo mesmo.
Muita Coisa
É como se eu fosse uma formiguinha, andando devagar e com medo de pisarem em mim. Carrego algo como se fosse o último bem do universo, com muito esforço e força de vontade.
Outras horas é como se eu fosse uma flor... Que fica ali parada; admirando e, melhor, sendo admirada. Meus espinhos só machucam quem ousa me tirar do lugar, ou ultrapassar meus limites.
Algumas vezes sou como uma borboleta. Uma borboleta que não para de voar e quase não descansa. Voando por aí percebo tudo - mas tenho medo de ser percebida.
Outro dia me senti como a lua.
Totalmente exposta e brilhante... Pena que alguns despercebidos só admiram o sol.
Têm momentos que sou como uma fera. Qualquer tipo de fera que ataca sem motivos e berra com qualquer um.
E hoje? Bom, hoje me senti como uma pessoa normal. Uma mulher. Uma menina.
Me senti como... Ah, bom... Como o resumo de todas as outras sensações. Afinal, todos somos feitos de muita coisa.
Outras horas é como se eu fosse uma flor... Que fica ali parada; admirando e, melhor, sendo admirada. Meus espinhos só machucam quem ousa me tirar do lugar, ou ultrapassar meus limites.
Algumas vezes sou como uma borboleta. Uma borboleta que não para de voar e quase não descansa. Voando por aí percebo tudo - mas tenho medo de ser percebida.
Outro dia me senti como a lua.
Totalmente exposta e brilhante... Pena que alguns despercebidos só admiram o sol.
Têm momentos que sou como uma fera. Qualquer tipo de fera que ataca sem motivos e berra com qualquer um.
E hoje? Bom, hoje me senti como uma pessoa normal. Uma mulher. Uma menina.
Me senti como... Ah, bom... Como o resumo de todas as outras sensações. Afinal, todos somos feitos de muita coisa.
Liberdade, por favor.
Já posso abrir os olhos?
Ele já largou a mão dela? Já parou de passar a mão em seu rosto e sorrir como um bobo?
Já posso respirar fundo e fingir que está tudo bem?
Fingir que não vi. Que não liguei.
E agora? Mesmo depois de abrir os olhos, continuo imaginando pra onde eles vão.
Imagino ele suspirando no ouvido dela. Tirando seu vestido. Mexendo em seus cabelos.
Imagino ele fazendo com ela tudo que fazia comigo. Falando tudo que dizia pra mim. E algumas coisas a mais. Provavelmente as mais importantes.
Droga. Não quero mais isso.
Não quero uma limitação de lugares para ir. Pessoas para conhecer.
Não. Eu quero ser livre!
Minha vida não pode ser limitada por ele, por causa das reações causadas por vê-lo sem tê-lo.
Já posso abrir os olhos pra vida?
Reparar quanta coisa mais importante além desse amor não correspondido existe?
Notar quantas novidades estou vivendo e o quanto estou feliz?
Sim, eu posso.
E abri.
Mas perguntas continuam voando pela minha cabeça. Acho que elas nunca vão deixar de existir.
Ele já largou a mão dela? Já parou de passar a mão em seu rosto e sorrir como um bobo?
Já posso respirar fundo e fingir que está tudo bem?
Fingir que não vi. Que não liguei.
E agora? Mesmo depois de abrir os olhos, continuo imaginando pra onde eles vão.
Imagino ele suspirando no ouvido dela. Tirando seu vestido. Mexendo em seus cabelos.
Imagino ele fazendo com ela tudo que fazia comigo. Falando tudo que dizia pra mim. E algumas coisas a mais. Provavelmente as mais importantes.
Droga. Não quero mais isso.
Não quero uma limitação de lugares para ir. Pessoas para conhecer.
Não. Eu quero ser livre!
Minha vida não pode ser limitada por ele, por causa das reações causadas por vê-lo sem tê-lo.
Já posso abrir os olhos pra vida?
Reparar quanta coisa mais importante além desse amor não correspondido existe?
Notar quantas novidades estou vivendo e o quanto estou feliz?
Sim, eu posso.
E abri.
Mas perguntas continuam voando pela minha cabeça. Acho que elas nunca vão deixar de existir.
segunda-feira, 1 de agosto de 2011
Já acreditei...
Eu já acreditei em Papai Noel, em coelho da Páscoa e em Fada do Dente. Já acreditei na superstição de que não se deve passar embaixo de uma escada. Já acreditei em Bicho papão e fui correndo dormir no quarto dos meus pais. Já acreditei e confiei na honestidade dos comercias de comida. Já acreditei em vendedor de loja dizendo que eu não acharia um preço melhor. Já acreditei na minha mãe me dizendo que não, a espinha no meio da minha testa não estava aparecendo tanto. Já acreditei em "mão" de cabeleireiro. Já acreditei em correntes de internet que me deram medo. Já acreditei que um filme mudaria a minha vida. Já acreditei que um livro mudaria a minha vida. Já acreditei em conselho de manicure. Já acreditei que amizades durariam para sempre. Já acreditei que o amor de algum homem seria eterno. Já acreditei em amor a primeira vista. Já acreditei que poderia mudar o mundo. Já acreditei que poderia mudar as coisas. Já acreditei que sexo prenderia algum homem. Já acreditei que não fazer sexo prenderia algum homem. Já acreditei que ser sincera seria a solução. Já acreditei que ser sincera estragaria tudo. Já acreditei que tudo que me diziam era verdade. Já acreditei mais nos outros do que no espelho. Já acreditei mais nos outros do que em mim mesma. Ja acreditei em milagres. Já acreditei que uma boa noite de sono resolveria tudo. Já acreditei que o álcool me faz esquecer os problemas. Já acreditei que os problemas são culpa do álcool. Já acreditei que tinha um milhão de amigos. Já acreditei que nenhum dos milhões iria me trair. Já acreditei que nunca trairia alguém. Já acreditei que algum dia aquela pessoa me daria valor. Já acreditei que a mentira que eu ouvia era a verdade, só porque era o que eu queria escutar. Já acreditei que a verdade era a mentira, só porque era o mais difícil de se enfrentar. Já acreditei que me ocupar era a solução para parar de pensar. Já acreditei que pensar muito era meu defeito. Já acreditei que pensar pouco era meu defeito.
Já acreditei que algum dia eu teria a soluções para todos os problemas e sacaria qual é a da vida. E hoje eu desacredito nisso, assim como algum dia já desacreditei em todas as outras coisas citadas. Creio que nunca saberemos todas as soluções ou como entender todas as nossas reações.
O acreditável depende apenas de nós mesmos. Mas a realidade, de fato, é que jamais saberemos a verdade absoluta.
Eu já acreditei que um dia eu me entenderia... Mas acho que prefiro ser um mistério.
Já acreditei que algum dia eu teria a soluções para todos os problemas e sacaria qual é a da vida. E hoje eu desacredito nisso, assim como algum dia já desacreditei em todas as outras coisas citadas. Creio que nunca saberemos todas as soluções ou como entender todas as nossas reações.
O acreditável depende apenas de nós mesmos. Mas a realidade, de fato, é que jamais saberemos a verdade absoluta.
Eu já acreditei que um dia eu me entenderia... Mas acho que prefiro ser um mistério.
segunda-feira, 25 de julho de 2011
Simplesmente
Quando a gente menos percebe
que deve
se arrumar.
Quando a gente menos sente
que deve
olhar.
Quando a gente menos pensa
o que devem
pensar.
Quando a gente menos procura
o que quer
achar.
A gente mais atrai
quem deve
atrair.
A gente mais passa
o que deve
passar.
A gente mais rima
quando deve
rimar.
Porque ser natural
Espontâneo
E impensado
é ser
simplesmente
real.
que deve
se arrumar.
Quando a gente menos sente
que deve
olhar.
Quando a gente menos pensa
o que devem
pensar.
Quando a gente menos procura
o que quer
achar.
A gente mais atrai
quem deve
atrair.
A gente mais passa
o que deve
passar.
A gente mais rima
quando deve
rimar.
Porque ser natural
Espontâneo
E impensado
é ser
simplesmente
real.
quinta-feira, 14 de julho de 2011
Sem culpa, mas triste
Passei quatro anos da minha vida tentando encontrar provas de que você era quem eu pensava que era. Achando que algum dia eu fosse me surpreender e notar que o personagem que você criou no início não era só um personagem. E sonhando que um dia tudo que inventei para nós se tornaria real.
Acontece que você não é nenhum segredo, e, infelizmente, não passa de uma farsa. Não passa de uma pessoa insensível que cria personagens perfeitos para se autoafirmar.
Durante esses quatro anos eu coloquei a culpa de tudo não ter se concretizado em fatos externos, que acabavam se tornando minha culpa.
E depois da última vez que seu personagem funcionou para mim, eu acordei.
Nosso relacionamento não envolve ninguém mais do que só eu mesma. Isso é triste, mas é a verdade. Só eu sofro, só eu falo, só eu quero além, só eu me esforço.
E seu personagem dura exatamente o momento em que você tenta me convencer de que ele é a sua verdadeira personalidade... Depois que (surrealmente fácil) me convence disso, você mostra quem é realmente.
Dessa vez não acordei pensando no tamanho da besteira que tinha feito. Dessa vez não me arrependi de tudo que eu disse. Dessa vez não fiz tudo que você quis.
Mas, mais uma vez, acordei triste. Sem culpa, mas triste.
Triste porque depois de quatro anos sabendo como você age, eu ainda espero você no dia seguinte - e pior, peço que você apareça.
Não é possível que você seja tão mal assim... Como gosto de uma pessoa que faz isso?
Eu digo na sua cara que você me machuca e você parece gostar de ouvir. É como se te motivasse ainda mais...
E todo o tempo que eu fui a melhor pessoa do mundo pra você? E isso eu sei que fui... Mesmo que não tenha durado muito.
E podem falar o que quiserem. Fofocarem o que desejarem.
Só eu mesma sei por que faço tudo isso que envolve você. Sei, mas não entendo. E se nem eu mesma entendo, não posso querer que os outros compreendam. Então estão certíssimos de tirarem suas próprias conclusões. Não devo absolutamente nada a ninguém, e quem me conhece de verdade, apesar de também não entender, sabe de tudo.
Melhor ter fama de quem não desiste de um sentimento, de quem quer viver até a última gota, de quem é sensível, de quem se joga, de quem não tem medo de errar, de quem erra e não tá nem aí se for por amor... do que qualquer outro tipo de fama que o povo inventa.
E pra quem acha que isso tudo é sinônimo de otária, um belo "dani-se".
Do meu jeito, sou romântica frágil... Mas de maneira alguma, sou otária e fraca.
A partir do ponto em que começo a ter dúvidas do meu próprio jeito, e as músicas que costumo ouvir e dizer que falam por mim não terem mais graça, preciso mudar algo.
Só não sei por onde começar. Recomeçar.
Acontece que você não é nenhum segredo, e, infelizmente, não passa de uma farsa. Não passa de uma pessoa insensível que cria personagens perfeitos para se autoafirmar.
Durante esses quatro anos eu coloquei a culpa de tudo não ter se concretizado em fatos externos, que acabavam se tornando minha culpa.
E depois da última vez que seu personagem funcionou para mim, eu acordei.
Nosso relacionamento não envolve ninguém mais do que só eu mesma. Isso é triste, mas é a verdade. Só eu sofro, só eu falo, só eu quero além, só eu me esforço.
E seu personagem dura exatamente o momento em que você tenta me convencer de que ele é a sua verdadeira personalidade... Depois que (surrealmente fácil) me convence disso, você mostra quem é realmente.
Dessa vez não acordei pensando no tamanho da besteira que tinha feito. Dessa vez não me arrependi de tudo que eu disse. Dessa vez não fiz tudo que você quis.
Mas, mais uma vez, acordei triste. Sem culpa, mas triste.
Triste porque depois de quatro anos sabendo como você age, eu ainda espero você no dia seguinte - e pior, peço que você apareça.
Não é possível que você seja tão mal assim... Como gosto de uma pessoa que faz isso?
Eu digo na sua cara que você me machuca e você parece gostar de ouvir. É como se te motivasse ainda mais...
E todo o tempo que eu fui a melhor pessoa do mundo pra você? E isso eu sei que fui... Mesmo que não tenha durado muito.
E podem falar o que quiserem. Fofocarem o que desejarem.
Só eu mesma sei por que faço tudo isso que envolve você. Sei, mas não entendo. E se nem eu mesma entendo, não posso querer que os outros compreendam. Então estão certíssimos de tirarem suas próprias conclusões. Não devo absolutamente nada a ninguém, e quem me conhece de verdade, apesar de também não entender, sabe de tudo.
Melhor ter fama de quem não desiste de um sentimento, de quem quer viver até a última gota, de quem é sensível, de quem se joga, de quem não tem medo de errar, de quem erra e não tá nem aí se for por amor... do que qualquer outro tipo de fama que o povo inventa.
E pra quem acha que isso tudo é sinônimo de otária, um belo "dani-se".
Do meu jeito, sou romântica frágil... Mas de maneira alguma, sou otária e fraca.
A partir do ponto em que começo a ter dúvidas do meu próprio jeito, e as músicas que costumo ouvir e dizer que falam por mim não terem mais graça, preciso mudar algo.
Só não sei por onde começar. Recomeçar.
terça-feira, 21 de junho de 2011
?
E você
já teve medo?
De ser muito pouco
pra alguém que parece ser tudo?
De ir atrás
e se entregar?
De assumir um erro?
E de chorar?
Você já sonhou
com um final de tarde
de pernas pro ar
num som acústico
e borboletas no estômago?
Você já se deu conta
De que é mais romântico do que imaginava
E que é mais ansioso do que devia?
Você já quis tanto
Que chegou a doer?
Já se iludiu em palavras
E se perdeu em atitudes?
Você se acha confuso?
Está confuso?
Eu também.
já teve medo?
De ser muito pouco
pra alguém que parece ser tudo?
De ir atrás
e se entregar?
De assumir um erro?
E de chorar?
Você já sonhou
com um final de tarde
de pernas pro ar
num som acústico
e borboletas no estômago?
Você já se deu conta
De que é mais romântico do que imaginava
E que é mais ansioso do que devia?
Você já quis tanto
Que chegou a doer?
Já se iludiu em palavras
E se perdeu em atitudes?
Você se acha confuso?
Está confuso?
Eu também.
terça-feira, 14 de junho de 2011
Aprovada?
E eu continuo sem entender porque nunca consigo dormir cedo mesmo tendo acordado cedo. É como se deitar na cama acionasse um botão que me fizesse pensar em toda a minha vida. No que já passou, no que poderia acontecer e no que certamente vai acontecer.
Não sei se só é assim comigo, mas sinto como se eu fosse um eterno conflito de coerências: No dia a dia comparo minha vida à um seriado, onde os episódios são sempre diferentes e emocionantes; mas toda noite comparo meus desejos à um conto de fadas perfeito, com calmaria, estabilidade e paz.
Qual dessas será eu mesma?
Ser a mistura das duas está me deixando confusa. Será que nunca vou saber quem sou de verdade?
Meus olhos pesam, mas não se fecham... E quando finalmente adormeço, meus sonhos não se desconectam da junção desses dois mundos dentro de mim.
Tenho notado uma insistência do lado "conto de fadas" em dominar. Acho que realmente estou cansada de uma vida sem limites.
Mas, para isso, preciso primeiro me permitir sair não desses mundos internos, e sim do meu mundo externo real. Devo me livrar das pessoas que não me acrescentam em nada, pelo contrário, só me diminuem.
Sinto como se não tivesse saído do mesmo lugar desde a primeira vez em que fiz alguma besteira na minha vida e que ouço os mesmos conselhos.
E aí procuro julgamentos, opiniões... Me procuro eternamente na esperança de quebrar a cara comigo mesma e notar o quanto eu sou boa demais pra aquilo tudo.
O problema é que sempre empaco. O obstáculo imposto justamente para me fortalecer e me ensinar, sempre me derruba e me convence a desistir de tentar.
Mas desistir de tentar o que? Ser eu mesma?
Por isso que eu nunca consigo. Porque tento.
Não tenho que tentar nada, provar nada. E melhor: Não preciso de aprovação.
O que eu sou mostro em atitudes espontâneas no dia a dia, pra quem quer reparar em mim. Não adianta forçar ser algo que eu já sou naturalmente. Fica feio. Fica falso. Estraga. E talvez esteja aí o problema que impulsiona todos esses meus erros que se afogam dentro de mim, me sufocando num labirinto sem fim: A (enorme) vontade - ou poderia dizer necessidade? - de obter a aprovação alheia pelo que sou.
Será que eu preciso mesmo disso?
Não sei se só é assim comigo, mas sinto como se eu fosse um eterno conflito de coerências: No dia a dia comparo minha vida à um seriado, onde os episódios são sempre diferentes e emocionantes; mas toda noite comparo meus desejos à um conto de fadas perfeito, com calmaria, estabilidade e paz.
Qual dessas será eu mesma?
Ser a mistura das duas está me deixando confusa. Será que nunca vou saber quem sou de verdade?
Meus olhos pesam, mas não se fecham... E quando finalmente adormeço, meus sonhos não se desconectam da junção desses dois mundos dentro de mim.
Tenho notado uma insistência do lado "conto de fadas" em dominar. Acho que realmente estou cansada de uma vida sem limites.
Mas, para isso, preciso primeiro me permitir sair não desses mundos internos, e sim do meu mundo externo real. Devo me livrar das pessoas que não me acrescentam em nada, pelo contrário, só me diminuem.
Sinto como se não tivesse saído do mesmo lugar desde a primeira vez em que fiz alguma besteira na minha vida e que ouço os mesmos conselhos.
E aí procuro julgamentos, opiniões... Me procuro eternamente na esperança de quebrar a cara comigo mesma e notar o quanto eu sou boa demais pra aquilo tudo.
O problema é que sempre empaco. O obstáculo imposto justamente para me fortalecer e me ensinar, sempre me derruba e me convence a desistir de tentar.
Mas desistir de tentar o que? Ser eu mesma?
Por isso que eu nunca consigo. Porque tento.
Não tenho que tentar nada, provar nada. E melhor: Não preciso de aprovação.
O que eu sou mostro em atitudes espontâneas no dia a dia, pra quem quer reparar em mim. Não adianta forçar ser algo que eu já sou naturalmente. Fica feio. Fica falso. Estraga. E talvez esteja aí o problema que impulsiona todos esses meus erros que se afogam dentro de mim, me sufocando num labirinto sem fim: A (enorme) vontade - ou poderia dizer necessidade? - de obter a aprovação alheia pelo que sou.
Será que eu preciso mesmo disso?
segunda-feira, 30 de maio de 2011
Exagero de expressões
Hoje eu fui a leitora de vários textos. Me encontrei em histórias de pessoas diferentes. Deixei que lessem minha alma em voz alta, pra mim mesma.
Hoje eu tirei férias do meu eu. Saí do caminho e parei pra descansar.
Desabafar.
Confesso que me saio melhor naquilo que faço bem. E, definitivamente, o que faço bem é ser feliz.
Sofrer não é comigo. Não mesmo.
Eu me torno dramática demais, repetitiva demais, melancólica demais, desiludida demais, chata demais. Eu me torno um monstro obcecado pela tristeza.
Acho que por ser constantemente feliz, quando triste, eu confundo as coisas.
Na felicidade não tem problema mergulhar. Exagerar. Tem?
Na tristeza eu sei que sim...
O lado bom é que admito estar mal. Não escondo e guardo tudo pra mim mesma, me sufocando em agonias e medos. Eu boto pra fora. Vomito, cuspo, grito e berro. Não admitir um sofrimento e tentar escondê-lo, na maioria das vezes, é pior. Bem pior.
Mas o lado ruim é que consumo demais tudo isso. Sei lá, parece que eu não sou como as pessoas normais. Não consigo simplesmente relevar algumas coisas. Quando estou triste, parece que tudo vem a tona. A tristeza daquele dia de quatro anos atrás volta pra me atormentar e eu começo a me sentir uma covarde por me arrepender dos meus erros. Ou uma egoísta por agir pensando no meu bem.
Ou seja, quando eu fico triste eu fico triste mesmo. Quem para o carro ao lado do meu no sinal, percebe. Quem me abraça, sente. Quem me ama, sofre comigo.
Sou o tipo de pessoa exagerada até no que não gosto. Mas exagero exagerado não dá, né?
Então já que eu sei que sou assim, pra que gravar um novo CD pro carro com músicas que parecem ser a trilha sonora de uma cena em que a menina corta os pulsos? Pra que não dormir escrevendo sobre isso que me faz chorar? Pra que? Tortura.
Mas, aqui estou eu. Com o CD gravado e o texto feito.
Afinal, um exagero de expressões é isso. É um paradoxo entre querer e ser. É saber o que quer que saibam, mas não saber como falar. Ou falar de qualquer jeito sem saber se quer mesmo que saibam.
Então mesmo sem entender o meu jeito, eu desabafo mais uma vez. Mesmo sem conseguir me achar em meio a tantos conselhos e lágrimas, eu desabafo mais uma vez.
Porque a vida é assim. É uma tortura quando se está triste, mas passa. E quando se está feliz... Ah, quando se está feliz eu não preciso explicar: É um ótimo exagero de expressões.
Expressões de exageros que me aguardam com o nascer do sol de daqui a pouco. E me darão forças pra quebrar o CD. E ao reler este texto eu nem vou me comover. Afinal, vou estar completamente mergulhada na minha felicidade. Então, licença, estou indo dormir.
Hoje eu tirei férias do meu eu. Saí do caminho e parei pra descansar.
Desabafar.
Confesso que me saio melhor naquilo que faço bem. E, definitivamente, o que faço bem é ser feliz.
Sofrer não é comigo. Não mesmo.
Eu me torno dramática demais, repetitiva demais, melancólica demais, desiludida demais, chata demais. Eu me torno um monstro obcecado pela tristeza.
Acho que por ser constantemente feliz, quando triste, eu confundo as coisas.
Na felicidade não tem problema mergulhar. Exagerar. Tem?
Na tristeza eu sei que sim...
O lado bom é que admito estar mal. Não escondo e guardo tudo pra mim mesma, me sufocando em agonias e medos. Eu boto pra fora. Vomito, cuspo, grito e berro. Não admitir um sofrimento e tentar escondê-lo, na maioria das vezes, é pior. Bem pior.
Mas o lado ruim é que consumo demais tudo isso. Sei lá, parece que eu não sou como as pessoas normais. Não consigo simplesmente relevar algumas coisas. Quando estou triste, parece que tudo vem a tona. A tristeza daquele dia de quatro anos atrás volta pra me atormentar e eu começo a me sentir uma covarde por me arrepender dos meus erros. Ou uma egoísta por agir pensando no meu bem.
Ou seja, quando eu fico triste eu fico triste mesmo. Quem para o carro ao lado do meu no sinal, percebe. Quem me abraça, sente. Quem me ama, sofre comigo.
Sou o tipo de pessoa exagerada até no que não gosto. Mas exagero exagerado não dá, né?
Então já que eu sei que sou assim, pra que gravar um novo CD pro carro com músicas que parecem ser a trilha sonora de uma cena em que a menina corta os pulsos? Pra que não dormir escrevendo sobre isso que me faz chorar? Pra que? Tortura.
Mas, aqui estou eu. Com o CD gravado e o texto feito.
Afinal, um exagero de expressões é isso. É um paradoxo entre querer e ser. É saber o que quer que saibam, mas não saber como falar. Ou falar de qualquer jeito sem saber se quer mesmo que saibam.
Então mesmo sem entender o meu jeito, eu desabafo mais uma vez. Mesmo sem conseguir me achar em meio a tantos conselhos e lágrimas, eu desabafo mais uma vez.
Porque a vida é assim. É uma tortura quando se está triste, mas passa. E quando se está feliz... Ah, quando se está feliz eu não preciso explicar: É um ótimo exagero de expressões.
Expressões de exageros que me aguardam com o nascer do sol de daqui a pouco. E me darão forças pra quebrar o CD. E ao reler este texto eu nem vou me comover. Afinal, vou estar completamente mergulhada na minha felicidade. Então, licença, estou indo dormir.
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