terça-feira, 26 de outubro de 2010

Resumo das noites

Com letras construo palavras.
Com palavras construo frases.
Com frases construo um texto.
Com um texo construo uma historia.
Com uma historia construo uma ilusao.
E nessa ilusao, todas as noites, construo voce.

domingo, 24 de outubro de 2010

Estilo femino

Mulher tem que ter estilo.
Tem que ter seu jeitinho de usar as palavras e saber pronuncia-las com o tom de voz certo, pras pessoas certas.
O estilo tem que ser so dela. E ela deve ser, primeiramente, dela mesma. So depois de algum homem.
E o estilo do homem que a agrada, nao tem que ser igual ao seu. Quase sempre nao é.
Mulher estilosa é translucida. Nem transparente e nem bloquiada.
Estilosa é aquela que sabe definir os outros (sem julgar) porque é observadora, mas jamais vai saber se definir sem precisar falar durante horas. Porem nao se enganem: ela se conhece muito bem; apenas nao se limita a meros adjetivos.
Mulher estilosa nao se preocupa em combinar. É natural.
Tem coragem de beber champange no gargalo, mas jamais bebe caninha da roca em um copo de cristal.
Mulher estilosa nao é submissa. Ela tem garra, vontade, sonhos.
Errar faz parte. Falar palavrao nao é falta de classe. E perfeicao, para elas, nao é uma neurose. E exatamente por nao serem perfeitas, sao tao perfeitas para aquelas que nao tem estilo.
Dar preferencia a qualidade, ao conforto e ao acessivel sao prioridades.
Sem forcar, sem se fazer... A mulher estilosa é varias versoes dela mesma, mas nunca outra pessoa.
O estilo feminino é essencial. Conquista, excita, inveja e assuta. Tudo junto numa perfeita balanca. E pra aquelas que se limitam as aparencias -até mesmo dos textos- vai uma obs: a balanca nao precisa ser cor de rosa com cheiro de perfume importado. Nao mesmo!
O estilo pode se definir em palavras, olhares, atitudes e objetivos. Mas nunca, nunquinha, se resumir numa roupa maravilhosa e num salto alto.
Esquecam o tempo, o planejado, o passado, o antigo, o que esta abaixo. A moda agora é o ilimitado, o incrivel o inventado.
Repito: mulher tem que ter estilo.

sábado, 25 de setembro de 2010

Quando me dei conta

Um vazio
de palavras
de cores
e desamores.
Um deboche fútil.
Um olhar irônico.
E o sorriso aparecendo no inesperado...
Na verdade, não estou perdida.
Na verdade
eu simplesmente
me encontrei.

terça-feira, 14 de setembro de 2010

Sensação

É como um buraco
cavado por mim mesma
para aconchegar e enterrar.
Entrerrar as histórias
as lágrimas e as alegrias
e aconchegar o ego sensível, que em mim se instalou.
É como rasgar um documento original
perder um anel de brilhates
ou esquecer de dizer eu te amo.
É como gritar pra dentro e não conseguir ouvir.
É um jeito desajeitado, que não tem como consertar...
Giro em torno de mim mesma
do meu sol
da minha lua
e nem tonta consigo ficar.

domingo, 29 de agosto de 2010

Dor Maior

Dor Maior,
Da falta dos sorrisos, olhares e gargalhadas, angústias corações partidos.
Dor que aperta no peito
Arde no olhar
E me rouba palavras.
Para amenizar essa dor: você.
Que às vezes me visita nos sonhos, para alegrar meu coração.
Surge na mente do nada, para espantar a desilusão.
Tem dias que me pego sozinha, deitada, com os olhos fechados.
Imaginando sua mão na minha mão ou o cheiro da sua presença.
Era tão bom saber de cor o timbre da sua voz...
Hoje em dia não sei mais se, vendada, te reconheceria ou leria seus pensamentos.
Você está tão longe... Passa por mim e não sinto nem seu vento.
A energia que tínhamos, acredito, ainda está aqui.
A esperança, a força, os desejos e os sonhos, se dividiram em dois.
Dor maior da falta...
Falta que faz e desfaz. Que aparece e some. Mas nunca vai embora.
Queria ouvir mais uma vez nossas conversas jogadas fora.
Mais um dia à toa ao seu lado.
Mais besteiras e histórias.
Um montão de segredos compartilhados...
Dor Maior é minha dor, a dor da saudade... de um melhor amigo.

segunda-feira, 16 de agosto de 2010

Independência. Eu quero uma pra viver?

Vou começar com um trecho do livro de Roberto Freire
Ame e dê vexame: “Porque eu te amo, tu não precisas de mim. Porque tu me amas, eu não preciso de ti. No amor, jamais nos deixamos completar. Somos, um para o outro, deliciosamente desnecessários.”

Brilhante.

Ainda não terminei o livro, mas posso afirmar: a idéia de que devemos nos entregar aos sentimentos e relações sem a cruel necessidade de dependência é sedutora.

Roberto Freire escreveu contos eróticos, novelas e até mesmo contos para crianças. Uma pessoa como ele tem muita história no peito e experiência nas costas, deve saber o que fala.
Já Martha Medeiros, que é mãe e filha e hábil com as palavras, diz, em um dos seus textos, que não há nada que nos dê mais segurança emocional do que contar com os outros apenas para aquilo que são insubstituíveis.

Será mesmo que não precisar dos outros é a solução?
Tem a ver com segurança emocional ou com a não necessidade de completar, quando se trata de amor?

Quem dera se conseguíssemos perceber exatamente a hora em que nos tornamos um pouquinho dependente de alguém. Seria fácil.
Mas quer saber? Talvez seja impossível ser independente, ou não querer se completar.

Ser deliciosamente desnecessário ou considerar dependência, realmente, morte já faz parte do nosso vocabulário?

E não para por aí.
Atualmente, uma das músicas e vídeo clip mais comentado é o da cantora Rihanna com o cantor Eminem, Love the way you lie (amo o jeito como você mente). Já ouviram/viram? - Eu adoro.
Um casal lindo vivendo no meio de mentiras, tapas, beijos e brigas – e gostando daquilo tudo, num hit sensacional e cenário evolvente. Duas pessoas que não conseguem se tornar duas pessoas. Um casal que ama e odeia a relação. Um relacionamento conflituoso...
São desnecessários em certo ponto de vista e super necessários em outros milhões. Lutam pela independênc total e parecem não consegui-la.

Nessa brincadeira se passaram anos e gerações. Diversas pessoas colocaram em questão a liberdade pessoal.
Muitos podem não entender como eu, vivendo na época do "prático", do sem compromisso, do neo-just in time, posso questionar a idealização da não necessidade ou dependêcia. Mas, ao meu ver, pode até ser o que estará na boca da maioria e muitas vezes vai ser o que procuramos, mas eu, euzinha, não acredito mesmo que dois amantes não desejam ser, ao menos um pouco, deliciosamente necessários.

Viver a vida de outra pessoa não torna alguém dependente e sim patético. Não defendo, nem um pouco, a dependência em forma de algemas. Logo, cairei no clichê de que a solução é o equilíbrio – mas sempre é. Então deixo aqui uma questão: O que é a independência para você, nos dias de hoje?

Terapia

Quase ninguém me entende quando eu digo que muitas vezes tenho preguiça de falar.
Sim, "preguiça de falar"! Quando acabo de acordar, quando sei que a frase vai encadear mil perguntas, quando estou de saco cheio e principalmente quando já estou ocupada demais falando comigo mesma, na minha cabeça.

“Quem cala consente”, mas quem cala também reflete.
Refletir chega a ser uma qualidade tendo em vista a quantidade de pessoas que falam sem pensar ou escutam sem ouvir.

Mas o que quase nunca costuma me acontecer é a preguiça de escrever. Basta um acontecimento estranho em um dia qualquer, uma decepção, uma alegria ou uma tristeza que lá estou eu escrevendo.
Será o frio que está me contagiando? Será que a preguiça também chegou na minha mão?

Costumo dizer que a escrita é a minha terapia.
Então não preciso mais me tratar?

Passou da hora de tirar a poeira do lápis – ou das teclas. Se já estou curada eu não sei, mas adoro viver nessa loucura constante e inconsciente. Não vou deixar a preguiça de ir à terapia me abalar e muito menos a terapeuta me dispensar!

segunda-feira, 26 de julho de 2010

Me chame

Quando quiser viver uma aventura, me chame.
Me chame quando cansar de saber como o dia vai terminar.
Me chame quando seu dia não tiver mais sol e quando a sua lua nunca mais estiver cheia.
Me chame quando estiver cheio dela, ou delas.
Me chame simplesmente porque gosta de dizer meu nome – eu sei que você gosta.
Me chame sem prensar duas vezes, não vai ser nada demais pra mim mesmo.
Me chame de dia, a tarde ou a noite – só não garanto que irei a qualquer hora.
Me chame com um sussurro, um suspiro ou com um berro.
Me chame se quiser dividir uma alegria ou uma vitória.
Mas não me chame pra chorar suas lágrimas, pra isso não.
Afinal, as minhas eu não pude compartilhar com você.
Me chame pra divertimento, pra gastar aquele meu tempo inútil.
Me chame, mas não espere que eu fique o dia inteiro.
Me chame quando quiser... e eu posso até ir. Provavelmente irei.
Me chame porque não agüenta mais segurar a vontade...
Me chame, mas não espere nada de mim.
Estou te dando um conselho que você devia ter me dado há tempos atrás: Não confie em mim, não mais.
Não sou mais confiável quando se trata de nós dois.
Melhor, quando se trata “de você”. “Nós dois” já não existe no meu mundo.
Mas mesmo asim me chame, e admite que nunca me esqueceu por completo.
Me chame e depois peça que eu fique. Para que, pela primeira vez, eu possa te dizer adeus.
Quando quiser viver uma aventura, me chame.

segunda-feira, 19 de julho de 2010

Maria Fumaça

Este texto e os dois abaixo dele foram escritos em Minas Gerais. Um tempinho de férias dos textos do mesmo estilo :)
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Um 60 bem redondo e amarelo, a minha esquerda, carrega lenhas mal cortadas.
O frio de lascar faz a moça sentada recolocar o seu casaco.
Estou em um tipo de locomotiva de séculos atrás...
Não só o trem em si, mas uma humilde e inteira população movida pelo calor, um calor que me queima os olhos –o de seus corações.

Um homem grita de longe
Foguetes explodem no céu cheio de nuvens –que está fora do meu campo de visão, só me permitindo ouvi-los.
O sino anuncia a partida...

O grande 60 amarelo, impresso na locomotiva quebrada a minha esquerda, se afasta aos poucos, bem lentamente.
Meus olhos se fecham num movimento involuntário por causa da luz ao sairmos do túnel.

Do lado esquerdo agora vejo o trilho, casebres... cheiro de paz.
À direita, como uma gafe, um anúncio gigante da Coca-cola.
Rapidamente me curvo para a esquerda.
É como uma versão em câmera lenta da Mountain Railroad, da Disney.

Percebo um pedacinho tímido do sol entre as nuvens cinzentas.
Aliás, me dou conta de que estou toda de cinza, inclusive as unhas.
Recebo acenos e sorrisos de crianças, adultos e idosos
Todos na rua, parados com a atração do dia e motivo maior de felicidade: Ver o trem passar.
E eu lá dentro com um sorriso amarelo, de cinza tédio, cinza triste, cinza ranzinza...
Alguém aí tem uma acetona pra me emprestar?

Vou seguindo pelos trilhos.
Sentada, unhas escondidas na manga do casaco e o coração sorrindo para o lá fora.
Pelo longo caminho da locomotiva, que carrega tanta gente para o mesmo lugar, tento achar o meu próprio lugar, aquele dentro de mim mesma. Será que ele está junto ao sentido dos pensamentos?
Rumo ao inesperado. Experiência nova simplesmente incrível, me transportei a antiga simplicidade.

Casa dos contos

Cores, conflitos, casas, carros.
Um carinho caprichado cuidadoso e criativo.
De lonje apenas traços, trecos, troços, trabalhos...
Aproxime-se e encontre-se, encante-se, encare.

Num local tão distante de toda tecnologia, onde a propaganda se limita ao boca-a-boca
O frio me envolve, aquecendo aquele momento.

O momento em que me deparei com cores, conflitos, coisas, carros.
Em quadros tão bem pintados.